Vibe Code: o guia definitivo sobre desenvolvimento acelerado por IA
- Evoluum

- 21 de set. de 2025
- 4 min de leitura
Nos últimos meses, o termo Vibe Code passou a circular com força em comunidades de tecnologia, vídeos de influenciadores, ferramentas de desenvolvimento e discursos sobre produtividade com Inteligência Artificial. A promessa é sedutora: criar aplicações completas em poucas horas, apenas descrevendo o que se deseja construir. Em um cenário em que o mercado busca velocidade, eficiência e redução de custos, o Vibe Code surge como uma aparente resposta direta a essas demandas.
Mas, como toda mudança estrutural no desenvolvimento de software, ele não é apenas uma nova ferramenta. Ele representa uma transformação profunda na forma como sistemas estão sendo concebidos, construídos e mantidos. Entender o que realmente é o Vibe Code, como ele surgiu, por que se tornou popular e quais são seus impactos práticos se tornou essencial para qualquer empresa que atua com tecnologia.
O que é Vibe Code
Vibe Code é um termo informal usado para descrever o uso de plataformas de Inteligência Artificial que permitem criar aplicações a partir de comandos em linguagem natural. Em vez de escrever código linha por linha, o usuário descreve funcionalidades, fluxos, regras de negócio e telas, e a ferramenta gera automaticamente o código, a estrutura do sistema, integrações e até mesmo o deploy inicial.
Na prática, ele representa uma evolução dos assistentes de código. Não se trata apenas de sugerir funções ou completar trechos de código, mas de assumir grande parte do processo de construção da aplicação. O desenvolvedor ou o usuário passa a atuar mais como um “orquestrador” do que como um programador tradicional.
Essa abordagem desloca o foco da escrita de código para a definição de intenções, regras e objetivos do sistema. A IA passa a ser responsável por transformar essas intenções em uma solução técnica funcional.

Como o Vibe Code surgiu
O Vibe Code é consequência direta de três movimentos que vinham se consolidando no mercado.
O primeiro é a maturidade das IAs generativas, que passaram a compreender linguagem natural com alto nível de precisão e a produzir código cada vez mais consistente.
O segundo é o avanço das plataformas low-code e no-code, que já vinham democratizando o acesso ao desenvolvimento de software, mas ainda exigiam configuração manual e conhecimento de ferramentas específicas.
O terceiro é a pressão por velocidade. Startups, áreas de negócio e empresas em transformação digital passaram a exigir ciclos de entrega cada vez mais curtos. A combinação desses fatores criou o ambiente perfeito para que plataformas capazes de “gerar sistemas sob demanda” ganhassem espaço.
O Vibe Code surge, então, como uma camada acima do low-code: menos configuração, mais intenção, mais velocidade.
Por que o Vibe Code ficou tão conhecido
O crescimento do Vibe Code foi impulsionado principalmente por dois fatores.
O primeiro é o apelo da democratização. A ideia de que qualquer pessoa pode criar um software funcional apenas descrevendo o que deseja abriu portas para empreendedores, times de negócio e profissionais não técnicos testarem ideias sem depender diretamente de um time de desenvolvimento desde o início.
O segundo é o discurso da produtividade. Desenvolvedores passaram a utilizar essas ferramentas como aceleradores de construção, reduzindo drasticamente o tempo necessário para criar MVPs, protótipos e até aplicações completas.
Esse movimento ganhou visibilidade nas redes porque ele gera resultados visuais rápidos. Aplicações que antes demorariam semanas passam a surgir em vídeos de poucos minutos, criando a sensação de ruptura total com o modelo tradicional de desenvolvimento.
Como as empresas estão utilizando o Vibe Code
Na prática, o mercado vem adotando o Vibe Code de formas muito diferentes.
Há empresas utilizando essas plataformas como ferramentas de prototipação, validando ideias rapidamente antes de investir em desenvolvimento estruturado.
Outras usam como aceleradores internos, permitindo que times de produto e negócio criem protótipos funcionais que depois são refinados por times técnicos.
Também existem organizações que utilizam o Vibe Code para construir aplicações reais de uso interno, como sistemas de apoio, dashboards e automações.
E há, ainda, quem utilize essas ferramentas como base de produtos que vão diretamente ao mercado, o que exige atenção redobrada em relação a segurança, escalabilidade e governança.
O ponto crítico: velocidade não é sustentabilidade
O Vibe Code resolve um problema importante: a velocidade de construção. Mas ele não resolve automaticamente os problemas de arquitetura, segurança, governança de dados e escalabilidade.
Muitas aplicações criadas dessa forma funcionam muito bem no início, mas encontram dificuldades quando precisam crescer, integrar novos sistemas, atender requisitos regulatórios ou lidar com volumes maiores de dados e usuários.
O risco não está na ferramenta, mas no uso sem base técnica. Quando não há profissionais capazes de entender o que está sendo gerado, a empresa passa a operar sistemas cuja estrutura interna é pouco compreendida. Isso aumenta o risco de falhas, vulnerabilidades e custos de manutenção no médio e longo prazo.
O papel dos profissionais técnicos no Vibe Code
O maior potencial do Vibe Code aparece quando ele é utilizado por profissionais que já dominam fundamentos de arquitetura de software, segurança, dados e escalabilidade. Nesse cenário, a IA atua como um acelerador, não como substituto do pensamento técnico.
Desenvolvedores experientes conseguem guiar a ferramenta, validar o que está sendo gerado, ajustar padrões, reforçar segurança e garantir que a aplicação construída não apenas funcione, mas seja sustentável ao longo do tempo.
Sem esse filtro técnico, o Vibe Code tende a gerar soluções frágeis, ainda que visualmente funcionais.
O Vibe Code como parte da nova engenharia de software
O Vibe Code não elimina a engenharia de software. Ele muda o ponto de entrada no processo de desenvolvimento. O foco deixa de ser apenas escrever código e passa a ser desenhar sistemas, definir regras, garantir segurança, governança e escalabilidade.
Empresas que entendem isso utilizam o Vibe Code como parte de uma estratégia maior de aceleração, mantendo arquitetura, observabilidade, governança e gestão de custos como pilares da solução.
As que tratam o Vibe Code como atalho absoluto acabam criando passivos técnicos difíceis de sustentar.
O que o Vibe Code representa para o futuro
O Vibe Code não é uma moda passageira. Ele é um reflexo da maturidade da Inteligência Artificial aplicada à engenharia de software. Ele vai continuar evoluindo, se tornando mais robusto, mais integrado e mais presente no dia a dia dos times.
Mas seu valor real continuará diretamente ligado à base técnica, à governança e à estratégia de cada organização. Ele amplia capacidades. Ele não substitui fundamentos.
Empresas que conseguirem integrar Vibe Code, IA e engenharia de software de forma estruturada estarão mais preparadas para inovar com velocidade e segurança. As que apenas seguirem o hype provavelmente transformarão velocidade em risco.






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