Vibe Code no desenvolvimento de software: por que não é para qualquer empresa
- Evoluum

- 23 de dez. de 2025
- 4 min de leitura
Nos últimos meses, o termo Vibe Code começou a aparecer em praticamente toda conversa sobre desenvolvimento de software. Plataformas que prometem criar aplicações em minutos, geração automática de código, interfaces prontas e soluções “sem precisar programar” passaram a ser vendidas como atalhos para escalar negócios, reduzir custos e acelerar a inovação.
O discurso é sedutor: “construa seu produto em 30 minutos”, “crie seu SaaS sozinho”, “ganhe dinheiro com IA”. Mas, na prática, a realidade é bem mais complexa, e é exatamente sobre isso que queremos falar.
A provocação é direta: Vibe Code acelera, mas não substitui base técnica, visão de arquitetura e maturidade de desenvolvimento. E, sem isso, o que parece produtividade vira risco estrutural.
O que é Vibe Code?
Vibe Code é um termo usado para descrever plataformas e ferramentas que permitem criar aplicações de software a partir de comandos em linguagem natural, componentes prontos e automações baseadas em Inteligência Artificial. Em vez de escrever todo o código manualmente, o desenvolvedor (ou até mesmo alguém sem formação técnica) descreve o que quer construir, e a ferramenta gera interfaces, fluxos e lógicas automaticamente.
Na prática, Vibe Code representa a evolução do low-code e no-code, agora potencializados por IA generativa. Ele acelera a criação de MVPs, protótipos e até aplicações completas, reduzindo drasticamente o tempo entre ideia e entrega.
O ponto crítico é que, apesar da agilidade, essas plataformas não substituem conceitos fundamentais de arquitetura, segurança, escalabilidade e governança. Elas executam, mas não pensam sobre o funcionamento ou qualidade do sistema. Por isso, o Vibe Code se torna uma alavanca poderosa nas mãos de profissionais experientes, e um risco significativo quando usado sem base técnica sólida.

Vibe Code no desenvolvimento de software: o que está realmente mudando
Ferramentas de Vibe Code e copilotos de programação já fazem parte do dia a dia de muitos times. Elas escrevem funções, sugerem arquiteturas, constroem telas, criam fluxos e aceleram tarefas que antes tomavam horas.
O ponto é que essas plataformas não decidem por você. Elas executam. Quem decide é o profissional por trás da tela. E é aqui que surge a grande diferença.
Quem realmente extrai o melhor dessas ferramentas são os desenvolvedores sêniors. Não por dominarem a ferramenta, mas por dominarem o que vem antes dela: arquitetura, regras de negócio, segurança, escalabilidade, integração, custos e impacto no longo prazo.
“O cenário ideal é um dev sênior que entende o negócio e usa IA como parceira de codificação. Esse é o cara que consegue manter a IA dentro de limites seguros e ainda ganhar produtividade.” - Samuel Silveira, CEO Evoluum
Ou seja: o ganho não vem da ferramenta. Vem da maturidade de quem a opera.
Quando Vibe Code acelera, e quando vira risco
Um dos alertas mais fortes trazidos no webinar foi sobre o uso dessas plataformas por times sem base técnica sólida.
No caso de desenvolvedores muito iniciantes, o risco é duplo:
criam soluções que não fazem sentido para o negócio;
não conseguem identificar erros de arquitetura, segurança e performance.
Já no cenário de áreas de negócio criando aplicações sem suporte técnico, o problema é diferente, mas igualmente crítico. Muitas vezes, essas soluções até geram valor no curto prazo. Porém, por trás da interface “bonita”, podem existir falhas graves de segurança, exposição de dados, problemas de escalabilidade e limitações que travam a evolução futura.
O que parecia agilidade vira dívida técnica. E dívida técnica cobra juros altos.
A falsa promessa da “democratização”
Existe uma narrativa forte de que o Vibe Code “democratiza” o desenvolvimento. E, de certa forma, ele realmente amplia o acesso à criação de software. Mas democratizar o acesso não é o mesmo que democratizar a responsabilidade.
Samuel vai direto ao ponto: quem acaba sendo responsável por manter, escalar, corrigir e evoluir essas soluções continua sendo o profissional sênior, aquele que entende o que foi construído e o que precisa ser ajustado.
Inclusive, muitas empresas já estão chegando à Evoluum com esse cenário: plataformas criadas com Vibe Code que “deram certo” no início, mas que agora precisam evoluir, e ninguém sabe exatamente como.
Ou seja, o Vibe Code não elimina o trabalho técnico. Ele adianta a conta.
Ferramenta não substitui base
Outro ponto importante é entender que nem todo desenvolvedor sênior é dependente dessas plataformas. Muitos deles, inclusive, conseguem ser mais rápidos codando diretamente do que utilizando ferramentas visuais.
O verdadeiro ganho está no uso da IA como parceira, para gerar trechos de código, validar caminhos, acelerar testes, sugerir padrões, e não como substituto de arquitetura, design de sistema e tomada de decisão.
O que diferencia quem gera valor de quem gera risco não é a ferramenta. É o repertório.
O que isso muda para as empresas
Para líderes e gestores, a lição é clara:
Vibe Code não é bala de prata.
IA não corrige falta de base técnica.
A pressa em “automatizar tudo” sem maturidade digital gera custos ocultos, riscos e retrabalho.
Empresas que usam essas plataformas com times maduros conseguem sim ganhar produtividade, acelerar entregas e reduzir custos. Mas aquelas que pulam etapas, constroem soluções frágeis, e pagam essa conta depois.
Conclusão
O Vibe Code não é vilão. Mas também não é solução universal.
Ele acelera quem já tem base, e expõe quem não tem.
E no fim do dia, o diferencial continua sendo o mesmo: gente preparada, arquitetura bem pensada e decisões conscientes.
Quer entender mais profundamente como IA, Vibe Code e maturidade técnica estão mudando o desenvolvimento de software nas empresas?
Assista ao conteúdo completo do nosso webinar e veja a conversa na íntegra com nossos especialistas.







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